Quem, como eu, tem um pequeno jardim (quintal) ou um pátio pavimentado com a nossa tradicional laje (calçada), sabe como é difícil escolher a árvore certa. Todos gostamos de ter sombra do sol ibérico, um pouco de vegetação e, se possível, os nossos próprios frutos.
Mas a realidade é que muitas árvores, por mais bonitas que sejam, crescem aqui com demasiada força e as suas raízes agressivas levantam com o tempo as lajes, transformando o acolhedor pátio em ruínas. Ao longo dos meus anos de jardinagem, encontrei uma espécie que se adapta perfeitamente às nossas condições: pouco espaço, verões quentes e a necessidade de proteger o pavimento.
Trata-se de uma árvore com uma história centenária no Mediterrâneo: a romãzeira (Punica granatum) ou, como a chamamos aqui, Romãzeira. É uma maravilha compacta: todos os outonos nos presenteia com frutos rubros e suculentos, ri da nossa seca e sente-se perfeitamente à vontade mesmo num grande vaso de terracota, sem ameaçar os alicerces da casa.
Um convidado mediterrânico que cabe em qualquer «quintal».

Adoro a romã porque sabe qual é o seu lugar. Não aspira a tornar-se um gigante: em campo aberto, mantenho-a a uma altura de três ou quatro metros com uma poda leve, e num vaso é ainda mais compacta. Tudo o que precisa é do nosso generoso sol português e de um solo onde a água não fique estagnada (o que é importante para os solos argilosos do norte ou a areia do Algarve). Se estas condições forem cumpridas, recompensar-te-á com uma floração abundante e frutos no final do verão, quando outras plantas já se rendem ao calor.
O mais importante para mim são as suas raízes «educadas». Ao contrário dos ficus ou dos pinheiros, que vejo frequentemente a partir os passeios de Lisboa, as raízes do romãzeiro são tranquilas. Se, ao plantá-lo, se afastar um pouco da parede e garantir a drenagem, os seus ladrilhos permanecerão intactos. O meu segredo é simples: rego-o em profundidade, mas com pouca frequência, o que obriga as raízes a crescerem para baixo em vez de se espalharem pela superfície.
Em termos de cuidados, é talvez a árvore mais agradecida do meu jardim. No verão, rego-a moderadamente, no inverno esqueço-me completamente do regador (a chuva é suficiente) e em janeiro e fevereiro, enquanto está em letargia, removo os ramos secos. Um punhado de adubo na primavera e está pronta para a nova estação.
Outros dos meus favoritos para os pequenos jardins de Portugal
Embora o romãzeiro seja o meu favorito, há outras árvores que posso recomendar sem hesitação aos meus vizinhos.
Ameixoeira: Uma excelente opção para os amantes de doces. Esta árvore de tamanho médio encaixa-se perfeitamente em pequenos pátios. As suas raízes não são agressivas e, se a regar regularmente em julho e agosto, ela dar-lhe-á os frutos mais doces (a variedade Rainha Cláudia é especialmente boa).
Nespereira: uma árvore incrivelmente resistente que encontrará em quase todos os quintais portugueses. Aprecio-a pela sua colheita precoce: floresce no inverno e dá frutos amarelos e suculentos já na primavera, quando as outras árvores mal estão a despertar. Tem raízes superficiais, mas macias, e só precisa de proteção contra os ventos fortes do Atlântico.

Cítricos (Laranjeira ou Limoeiro): Que casa portuguesa não tem limões ou laranjas? As variedades anãs crescem perfeitamente em vasos. Sim, tenho de as regar com mais frequência do que as romãzeiras, mas aquele aroma a flor de laranjeira e aqueles frutos tão vistosos no inverno valem o esforço.
Oliveira: Se procura um lutador imortal, escolha a oliveira. É o símbolo do nosso sul. Em vasos, cresce lentamente, cria uma bela sombra prateada, não teme a seca e, se tiver paciência, em cinco anos poderá salgar as suas primeiras azeitonas.
Escolham com inteligência, amigos, e que o vosso jardim vos traga alegria, e não problemas de reparação!



